Bolsonaro é contra direitos da criança: “tem que ser rasgado e jogado na latrina”

Gostaríamos de estar hoje, no dia das crianças, 12 de outubro, comemorando e celebrando a data. Mas em um momento onde os direitos mais básicos da infância estão ameaçados, é necessário realizar o debate sobre os direitos das crianças e dos adolescentes e sua interface com a corrida eleitoral.

A ameaça vem do candidato à presidência Jair Bolsonaro, que atacou duramente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Disse que o documento deveria ser rasgado porque, na sua opinião, estimula a “vagabundagem e a malandragem infantil”.

— O ECA tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo à vagabundagem e à malandragem infantil — disse ele.

O assunto surgiu quando o candidato foi perguntado, em entrevista coletiva, sobre a denúncia de racismo do qual era réu no Supremo Tribunal Federal. Ao responder, Bolsonaro evitou tratar do tema e passou a criticar a deputada federal Maria do Rosário (PT), que o processa por ofensas.

A declaração do candidato aconteceu no mesmo dia em que ele pegou uma criança no colo e perguntou a ela se sabia atirar.

— Você sabe atirar? Atira! —  afirmou ele, enquanto tentava fazer com que o garoto apontasse o dedo imitando uma arma em direção ao público.

O garoto, aparentando uns quatro anos de idade, usava um uniforme da Polícia Militar. O diálogo entre o candidato e a criança foi divulgado no site do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Criticado por Bolsonaro, o ECA considera crime “vender, fornecer, ainda que gratuitamente, ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo”. A pena prevista é de três a seis anos. Sobre a cena, o candidato afirmou:

— Encorajo, sim (o uso arma de fogo para crianças). Não podemos mais ter uma geração de covardes, de ovelhas, morrendo nas mãos de bandidos sem reagir. A realidade é muito diferente da teoria que está aí  — disse o candidato, durante entrevista coletiva em Araçatuba. Desde quarta-feira, o presidenciável cumpre uma agenda em cidades do oeste paulista.

Bolsonaro havia revelado que ensinou seus filhos a atirar ainda na infância.

— Meus filhos todos atiraram desde os cinco anos. Real, não é ficção — disse o candidato.

Na conversa com jornalistas, Bolsonaro voltou a defender que os pais ensinem os filhos sobre o uso das armas.

— Defendo que um pai ensine o que é uma arma de fogo para seu filho, para que serve. Nas comunidades, tem moleque usando fuzil maior do que ele. Não podemos gerar uma geração de covardes, de submissos, partir para esse tipo de política de se entregar, de não reagir – enfatizou.

Com informações do Jornal O Globo.

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