Propostas de Bolsonaro repetem ou ampliam medidas implantadas por Temer

O capitão da reserva Jair Bolsonaro é a mais fiel continuidade do governo Michel Temer, odiado por 94% dos brasileiros, conforme pesquisa do Estadão. Não só ele, mas os deputados do PSL , partido do presidenciável , foram os que mais votaram com o atual presidente neste ano, superando inclusive o MDB de Temer.

A informação consta em relatório da consultoria Arko Advice. Foram analisadas 107 votações realizadas no primeiro semestre na Câmara que eram de interesse do Planalto, como a salvação do presidente dos processos de investigação contra ele.

Mas não foi só este ano, a família Bolsonaro foi fiel a Temer sobretudo nas votações anti-trabalhadores, estamos falando de temas como a Reforma Trabalhista, a terceirização irrestrita da mão de obra, a PEC que congelou os investimentos públicos em saúde, educação, assistência social e segurança por 20 anos e a entrega do pré-sal para empresas estrangeiras.

Diferentemente do discurso de “nova política”, o candidato de extrema-direita não representa a renovação, mas a continuidade da velha elite brasileira no poder. O fato é que grande parte do eleitorado não sabe do seu comportamento de Bolsonaro no Congresso. Deputado há 28 anos, o candidato, na verdade , coloca em primeiro plano os interesses das classes privilegiadas do país, como ricos e banqueiros.

Ainda de acordo com o relatório, o PSL, que tem atualmente oito deputados e na próxima legislatura terá mais de 50, teve uma taxa de fidelidade ao governo de 67,73%, enquanto que o MDB de Temer, que tem 51 deputados, registrou 64,34%. O PSDB, com 49 representantes na Câmara, apoiou a posição do governo em 63,05% das votações, ficando na terceira posição. Na sequência aparecem como mais fiéis PPS, PP e DEM.

Como comprova o documento, a agremiação que se posiciona contra o desmonte dos serviços públicos e dos direitos sociais e trabalhistas é o PT, maior partido da oposição a Temer com 61 deputados. Os petistas apoiaram o governo em somente 5,27% das votações, ou seja, em projetos que não atingiam conquistas do povo.

Propostas do “novo” governo Temer via Bolsonaro

E se observamos as atuais propostas de Bolsonaro, percebemos que a ideia do presidenciável é avançar nas medidas anti-trabalhador e anti-povo de Temer. Talvez Bolsonaro seja um Temer piorado. A começar pela reforma da previdência; o fim do décimo terceiro salário; estabelecer uma alíquota única de 20% no Imposto de Renda para quem ganha a partir de R$ 4 mil, atingindo de cheio a classe média; a instituição de uma nova carteira de trabalho com menos direitos e sem benefícios como previdência; a privatização do ensino público; desigualdade salarial entre homens e mulheres; a venda de empresas estatais fundamentais; entrega do território amazônico para exploração dos norte-americanos; entre outras pautas bomba.

“O que precisa ficar claro para o eleitorado é que Bolsonaro é Temer, Temer é Bolsonaro. É esse o confronto que se anuncia. Se os brasileiros querem um Brasil com a cara fechada do Temer, que nos levou ao fundo do poço, ou um Brasil com o sorriso no rosto, carteira assinada, serviços públicos e devolução de direitos”, avalia Enedina Soares, presidente da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce).

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