Beberibe – Prefeitura ameaça retaliações aos professores que fizeram greve


A Prefeitura de Beberibe aumentou seus esforços para terminar o movimento grevista dos professores, sem negociar com a categoria. Ontem (3) a Administração municipal conseguiu liminar na Justiça considerando a greve ilegal. O documento acusa a mobilização de impedir o trabalho dos professores que não aderiram à greve e avisou que vai punir os grevistas com descontos de todos os seis dias não trabalhados. O Sindicato vai recorrer; a greve foi suspensa.


“Estão acontecendo retaliações. No mês passado, a nossa contribuição sindical só nos foi repassada depois do dia 20; fizemos uma assembleia e o Sindicato não teve condição de arcar com nenhum custo. O repasse da contribuição de março já foi descontado dos servidores, mas não foi repassado ao Sindicato. Isso nos deixa à mercê de juros com nossas contas”, afirmou Franciedson Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Beberibe (Sindserv).



Ele informou que as retaliações da Prefeitura aos trabalhadores, com descontos das faltas, também ocorreram em março. No mês passado, os docentes paralisaram suas atividades durante três dias, buscando negociação de suas pautas com o poder público. A Prefeitura, por sua vez, descontou os dias paralisados, “até mesmo de alguns servidores que não aderiram às paralisações”, ressaltou o presidente.


“O valor dos descontos seria em média de R$ 250 para cada servidor”, dimensionou Franciedson. A paralisação foi motivada pela reposição linear do reajuste salarial de 8,32% para o Magistério, a qual a Prefeitura concedeu somente para os servidores com nível Médio e temporários. Aos demais, o salário foi reajustado em 6%. Os professores com nível superior passaram, então, a reivindicar os 2,32% restantes, mas a Prefeitura não aceitou mais negociações, alegando não ter mais margem econômica para conceder o restante do que foi definido pelo MEC.


Valorização da carreira


A medida tomada pela gestão mexeu com a tabela vencimental do Plano de Carreiras da do Magistério, reduzindo em mais de 2,5% a valorização dos servidores que têm graduação para aqueles que não a possuem.


A decisão da Prefeitura foi levada à assembleia, e, no dia 17 de março, os professores votaram pelo início da greve no dia 27 de março. Era a primeira greve de uma categoria durante os 12 anos de existência do Sindicato.


Franciedson lembra que o Sindserv sugeriu ao poder público que o reajuste de 8,32% fosse dado somente em julho, a fim de dar tempo para que o Município pudesse organizar suas contas e pudesse pagar aos servidores, considerando ainda a reposição as aulas perdidas; a gestão, no entanto, foi irredutível quanto à concessão do reajuste.


E diante da ameaça de um novo desconto feito através do OFÍCIO CIRCULAR SEAD Nº03/2014. “Os descontos de seis dias aconteceriam no final de abril. Se houver esses descontos, o percentual equivale à porcentagem de reajuste de 2,32% ao longo do ano”, analisou Franciedson.


Hoje (4) após o retorno da categoria a sala de aula, o presidente do Sindserv-Beberibe conseguiu entrar em contato com a professora Berenice Carneiro, nova secretária de Educação, para tentar uma nova negociação, ela se mostrou aberta a conversas para buscar um acordo sobre a reposição das aulas em vez de descontarem dos servidores, e sinalizou uma reunião para tentar amenizar a situação.


Fonte: Fetamce

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