Pesquisa ISP: Maioria dos trabalhadores da saúde não teve capacitação sobre coronavírus

A Internacional de Serviços Públicos (ISP) divulgou, nesta terça-feira (14/4), o primeiro resultado parcial do questionário online aplicado junto à trabalhadores que atuam na saúde e em serviços essenciais de enfrentamento da pandemia de Covid-19. Dos que responderam ao instrumento, 77% alegam não ter passado por capacitação adequada para o trabalho junto à população e 67% denunciaram insuficiência de Equipamento de Proteção Individual (EPIs) nos locais de trabalho, sendo que 11% disse não ter nenhum EPI.

A pesquisa, iniciada em 31 de março, integra a campanha “Trabalhadoras e Trabalhadores Protegidos Salvam Vidas”, realizada mundialmente pela ISP e filiadas. No Brasil, a iniciativa conta com o apoio das organizações parceiras, como a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) e a Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce). Foram 1.025 questionários respondidos de forma voluntária, abarcando diversos estados brasileiros. O Ceará foi a segunda unidade federativa com maior participação até o momento, ficando atrás apenas de São Paulo.

“A Fetamce e entidades filiadas abraçaram a campanha por compreender a necessidade dos dados para ter um panorama da situação dos trabalhadores em meio a pandemia. O resultado parcial já evidencia a exposição dos que estão na linha de frente do enfrentamento ao coronavírus. Sem testes e EPIs adequados, aqui no Ceará pelo menos 137 profissionais da saúde foram afastados por suspeita ou confirmação de contaminação”, ressalta a presidenta da Fetamce, Enedina Soares.

Dos profissionais que prestaram informações sobre suas condições de trabalho, 58% são servidores públicos, 84% são trabalhadores da saúde, sendo 34% de enfermeiros e 12% de técnicos de enfermagem, grupos de maior participação na iniciativa até o momento. 55% dos participantes afirmam passar por sofrimento psicológico neste momento, inclusive 10% têm tido mais de 12 horas diárias de jornada de trabalho.

PESQUISA SEGUE ABERTA

A Secretária Subregional para Brasil da ISP, Denise Motta Dau, reforça que a aplicação da enquete deva ser ampliada, mas considera que os resultados obtidos até aqui já são indicadores importantes e preocupantes e mostram que profissionais, que estão diariamente no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, correm severos riscos de saúde.

O formulário da enquete seguirá aberto para participação dos trabalhadores, para atualização semanal, e os dirigentes reforçam a necessidade de registro das condições diárias de segurança e saúde, para que as ações sindicais possam ser mais precisas. Acesse a pesquisa aqui.

A ISP destaca ainda que as mobilizações devem ser ampliadas no 28 de abril, Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, que deve ser destacado nas redes sociais.

Acesse aqui a íntegra do relatório parcial do questionário.

*Com informações da ISP e Confetam

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