Fórum Cearende de Mulheres fala sobre a participação na Cúpula dos Povos na Rio+20

O movimento feminista organizado no Fórum Cearense de Mulheres lança nota alusiva a participação na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, Conferencia da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável, que acontece de a no Rio de Janeiro (RJ). Acompanhe.

Fórum Cearense de Mulheres e Tambores de Safo na Cúpula dos Povos na Rio+20
A Cúpula dos Povos, que acontecerá paralelamente ao Rio +20, é um espaço de debate, articulação e mobilização da sociedade civil organizada para fazer frente às propostas e aos processos que marcam a Conferência Oficial (da ONU) Rio +20. Ela reunirá movimentos sociais de todo os continentes, ativistas anticapitalistas e feministas de todo o mundo. A Cúpula dos Povos é organizada e mobilizada pelos movimentos sociais, articulados em redes de todos os continentes, que defendem profundas transformações no modelo de produção dominante; os direitos humanos e a construção de modos de vida não predatórios, socialmente justo e politicamente democrático.

Nós mulheres temos sofrido com os graves danos que o sistema econômico atual tem causado ao planeta e a sociedade, afetando principalmente os grupos empobrecidos pelo modelo capitalista, racista e patriarcal. Tal modelo, privatiza e degrada os bens comuns: a terra, a água e os territórios, e marginaliza as populações dos campos e das cidades. Por consequncia as injustiças sociais e ambientais agravam as opressões herdadas da colonização, escravização e exclusão, que atingem, principalmente, a população não-branca. Gestoras da pobreza, as mulheres negras são vulnerabilizada pelas ausências de políticas públicas, pela exploração de seu trabalho produtivo e reprodutivo e experimenta na vida cotidiana as violências e violações de direitos humanos, provocadas pelas grandes corporações e seus negócios poluentes; e pelas politicas públicas desenvolvimentistas.

A despeito dessa realidade, para os movimentos sociais a Rio +20 será na verdade uma “feira de negócios”, baseados na chamada economia verde, que é a resposta do mercado para as crises, não só ambientais, mas principalmente para aquelas que comprometem a necessidade de sustentar e legitimar o modelo econômico capitalista, expansionista e concentrador de poder e riqueza.

Por essas, e outras, razões os problemas sociambientais que serão pautados na Cúpula dos Povos como contraponto ao modelo dominante, dizem respeito a toda sociedade e precisam mobilizar os diferentes sujeitos de lutas sociais. Os padrões dominantes dessa estrutura de degradação socioambiental, está fortemente vinculado às tradições reacionárias, conservadoras e heteronormativas que subordinam e negam os direitos das mulheres, da população LGBT(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e se assentam nas desigualades etnicas e raciais. A convergência desses setores dominantes, seus pensamentos e práticas sociais, econômicas e politicas, é o que de fato põe em alto risco a existência humana na terra.

Compreendendo a importância política da Cúpula dos Povos para o encontro e construção de convergências de lutas, o Fórum Cearense de Mulheres, o grupo artístico feminsitas Tambores de Safo e a Articulação de Mulheres Brasileiras/AMB estamos organizando a Caravana Cearense de Mulheres por Justiça Ambiental. O objetivo é mobilizar as mulheres para participar da Cúpula dos Povos e construir o Território Global das Mulheres: atividade realizada por diferentes redes feministas. A Caravana deve propiciar o debate político entre as participantes e visibilizar os temas da Cúpula e as reivindições dos movimentos.

Queremos visibilizar a luta de mulheres de diversas partes do mundo na defesa dos territórios, do acesso a terra, água e à soberania alimentar. Entendemos que as mulheres organizadas devem, na efervescência dos debates, demarcar suas posição contrárias à mercantilização e depredação dos bens naturais e da vida; e exigir dos governantes políticas que promovam as transformações necessárias para o bem de todos e promoção da justiça e da equidade. Espera-se que a CP nos permita a todas, trocar experiências, unificar forças com os outros movimentos, visibilizando outras formas de convivências sociais e com os bens naturais, tais como: as experiências dos povos e comunidades tradicionais; a vivencia da solidariedade comunitária nos centros urbanos e, as novas experiência que vem sendo fortalecidas e reinventadas pelos coletivos, como a econômica solidária e a agroecologia.

Assinam:

Fórum Cearense de Mulheres, Tambores de Safo e Articulação de Mulheres Brasileiras, NA LUTA FEMINISTA POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL, CONTRA O RACISMO E A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA

Assessoria de Comunicação – FETAMCE


Fonte: Fetamce

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