FETRAECE convida movimento sindical para as comemorações do março lilás

O Dia 08 de março é para nós Mulheres Trabalhadoras Rurais cearenses, muito mais que um dia de festa. Simboliza o marco das lutas das mulheres contra todo tipo de violência, desigualdades, preconceitos e exploração. Apesar das conquistas obtidas com nossa luta e a mais recente na Marcha das Margaridas, ainda temos mulheres sendo sujeitas as desigualdades de salários, de condições de trabalho e de oportunidades.


O dia internacional da Mulher possui várias versões para o seu surgimento. As duas mais conhecidas trazem a seguinte versão: no dia 08 de março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil em Nova York, nos Estados Unidos, fizeram uma greve reivindicando melhores condições de trabalho, como redução da jornada de trabalho, equiparação salarial (salário igual ao dos homens), pois elas executavam o mesmo trabalho e recebiam um terço do salário e também o direito à licença-maternidade.


Em represália ao movimento grevista os donos e policiais fecharam a fábrica e atearam fogo nelas, matando 129 mulheres queimadas. A outra versão se refere a uma greve que explodiu em 1917, em Petrogrado, na Rússia. Nesse dia um grande número de mulheres operárias saiu às ruas em manifestação contra a fome e a guerra. Acredita-se que estas ações desencadearam a revolução que derrubou o governo Russo. Embora algumas versões do fato, somente em 1975 que um decreto oficializou a data como referência para comemoração em todo mundo.


Seja qual for à versão, todas elas apontam para a luta das mulheres na conquistas de seus direitos. Para sair da invisibilidade e para demonstrar a violência que ainda hoje somos vítimas, que se configuram no nosso dia-a-dia por palavras, ações discriminatórias, espancamentos, mortes e na negação de direitos já conquistados.


Por todas as nossas lutas, sejam elas específicas ou do conjunto do MSTTR, é que nós do Coletivo de Mulheres da FETRAECE, em conjunto com a Diretoria Ampliada da FETRAECE vamos instituir e trabalhar o MARÇO LILÁS.


Será para nós não só o dia 8 de março, mas o mês inteiro dedicado às atividades mais intensivas de debates, discussões, mobilizações nas ruas dos movimentos de mulheres, onde cada regional, cada STTR, cada movimento feminista neste estado se mobilizem na luta, seja ela comemorativa, de denúncia ou de reivindicação.


Quero saudar em especial às trabalhadoras rurais, sindicalistas, assalariadas, donas de casa, artesãs, políticas, de todas as idades, que com fé e coragem, juntas temos sido protagonistas de nossas conquistas. Se hoje estamos aqui comemorando o março lilás é graças à determinação de muitas mulheres, capazes de produzir, reproduzir e gerar vida em todas as esferas em que nós mulheres estamos inseridas.


Passa por nós a vida humana, o trabalho na roça, em casa, no sindicato, na associação, na empresa e por tudo isso temos capacidade e competência. Apesar de todas as barreiras que o patriarcado e o capitalismo nos impõem, somos capazes de amar, sonhar e lutar por uma sociedade mais justa, onde o bem comum seja a essência do nosso viver.


Saudação especial também às gloriosas companheiras, que não estão mais entre nós como Margarida Alves, Nazaré Flor, Maria Clélia, entre outras, que dedicaram suas vidas na busca da igualdade nas relações de gênero, que partilharam seus sonhos e que deram uma parcela significativa no desenvolvimento do que somos hoje. A estas companheiras e a outras que continuam conosco na caminhada, meus cordiais cumprimentos.


Neste março lilás, meu reconhecimento e gratidão a todas as mulheres trabalhadoras rurais da base, que estão na labuta diariamente, mostrando que é possível uma Agricultura Familiar sustentável, com mais qualidade de vida para todas e todos.


O ano de 2012 é um ano de possibilidades e quero reafirmar a nossa responsabilidade na construção de uma sociedade com mais igualdade e autonomia. Por ser um ano eleitoral, onde iremos escolher os prefeitos e prefeitas e vereadores e vereadoras de nossos municípios, cabem a nós nos propor a cargos eletivos, orientar e escolher bem nossos representantes. Por sermos a maioria do eleitorado brasileiro recai sobre nós a


responsabilidade ainda maior do valor de nosso voto. Lembrando que a mudança começa a partir de nós mesmas, da nossa comunidade, do nosso município. Basta teimar e seguir em frente.


É perceptível por nós que os resultados estão muito tímidos, quando se refere a política. No cenário nacional, para nosso conhecimento, o número de mulheres ocupando cargos eletivos ainda é pequeno. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), somos mais de 52% do eleitorado brasileiro, somamos mais de quatro milhões de votos a mais em todo país, porém, ocupamos apenas 8,7% do total de 513 vagas para a Câmara de


deputados (as), ou seja, 45 são deputadas; 23% no Senado Federal, das 81 vagas, apenas 13 são mulheres e 7,4% da vagas para os governos estaduais, dos 27 estados, apenas dois estados tem como governo mulheres (Estados do RN e MA).


Esta realidade é visualizada por nós, em nossos municípios, na política partidária e cabe também a nós mulheres levantar esta bandeira e lutar para termos mais mulheres no poder, exercendo cargos eletivos nas esferas municipal, estadual e federal e no nosso próprio MSTTR. Vamos lá companheiras apoiar e fortalecer as iniciativas e a coragem de companheiras e companheiros do nosso MSTTR que se propuser a mudar a realidade em nossos municípios. Esta também deve ser uma bandeira de luta para juntar a tantas que já são para nós mulheres oficiais.


Viva o Março Lilás!

Rosângela Ferreira Moura Lucena
Secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da FETRAECE

Fonte: FETRAECE

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Fonte: Fetamce

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