Em Fortaleza, 10 mil pessoas vão às ruas denunciar o golpe de Temer contra os trabalhadores e a democracia


Ao menos 24 estados e no Distrito Federal registram manifestações de repúdio ao governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) na última sexta-feira, 10 de junho. Os manifestantes exigem o retorno da presidenta Dilma Rousseff (PT), afastada em 12 de maio após admissibilidade de processo de impeachment no Senado. Várias cidades no exterior também contaram com atos em defesa da democracia.


No Ceará, a atividade aconteceu na Aldeota, saindo da Praça Luiza Tavora até a Praça da Imprensa e reuniu cerca de 10 mil pessoas. O protesto foi convocado pela Frente Brasil Popular e pelo Movimento Ceará Contra O Golpe, que reúnem dezenas de movimentos sociais, sindicais e coletivos. Além das capitais, muitas cidades do interior são palcos de protestos pedindo a saída de Temer da presidência, como Sobral e Jaguaretama.


O Dia Nacional de Mobilização “Fora, Temer!” e “Nenhum direito a menos” denunciou que o que estava por trás do afastamento ilegal da presidenta Dilma era a reforma da Previdência, arrocho nos direitos dos trabalhadores e perseguição dos movimentos sociais.


“Temos a obrigação de pautar a construção dessa mobilização. Este dia de manifestações representa o acúmulo e o crescimento da insatisfação do povo contra o golpe. Estamos nas ruas protestando, denunciando e criando uma unidade de ação para combater o consórcio formado por parte da mídia, do judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e do Congresso. Só com mobilização, organização e protestos o conjunto da classe trabalhadora terá dimensão do que está em risco no país”, diz Francisco de Assis Diniz, presidente estadual do PT-CE. 


Uma das principais pautas do governo golpista é o projeto de lei 4193/2012, que irá permitir que convenções e acordos coletivos de trabalho negociados entre patrões e empregados prevaleçam sobre a legislação trabalhista, mesmo que isso signifique perdas aos trabalhadores.


Temer também irá impor arrocho salarial para os aposentados, pois o salário mínimo deixara de ter aumento real e deixará de ser piso da Previdência. 


Entre as medidas anunciadas, está a que adia a aposentadoria somente para os 65 anos, tanto para homem como para mulher. O ato prejudica quem começa a trabalhar cedo e impõe às mulheres um duro fardo, não reconhecendo que estas são vitimas da dupla jornada: em casa e no trabalho.


Também já foram dadas declarações à imprensa de que o atual presidente corre para aprovar definitivamente a terceirização generalizada no mercado de trabalho. A caça aos direitos continua, com acenos de Temer para mudar as regras do 13o salário, férias, FGTS e licença maternidade, atendendo aos desejos da classe empresarial, que financiou a queda de Dilma.


Luciano Simplício, presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Ceará (CTB-CE) também evidenciou que é necessário reação. “Todos precisam enxergar o que realmente está acontecendo, voltar agora a bater panelas e colocar os grupos nas ruas, pois nunca vimos tanta corrupção. Basta citar os sete ministros nomeados envolvidos na Operação Lava Jato e parte da população está calada. Nós lutamos pela democracia, pelo governo legítimo e conclamamos o povo desta área nobre que se junte a nós”.


Também estão nas propostas do PMDB a diminuição drástica do orçamento para saúde e educação, com o estabelecimento do orçamento zero para as pastas. Com isso, o governo federal não cumpriria mais os 25% e 15% de investimento mínimo obrigatório respectivamente para educação e saúde. Isso destruiria o financiamento dos serviços e dos servidores públicos dos setores citados nos municípios, estados e união.


Enedina Soares, presidenta da Fetamce, frisou que o verdadeiro propósito por trás do golpe é a luta entre capital e trabalho. “Por isso vamos pra rua pra defender a democracia e pra ser contra as tentativas que estão fazendo de institucionalizar o fim dos diretos trabalhistas e as conquistas na área da educação e da saúde no Brasil”.


O pacote do golpe inclui ainda a privatização geral das estatais ou mesmo o desmantelamento de algumas, como a Petrobrás; entrega dos recursos financeiros provinientes das reservas do pre-sal para estrangeiros; e corte de gastos ou suspensão de programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida, Fies, Prouni e Pronatec, que aprofundará ainda mais o desemprego.


Com informações do Portal Vermelho


Fonte: Fetamce

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