Contribuições de Paulo Freire são destacadas em audiência pública

No dia do aniversário de Paulo Freire, que completaria 96 anos nesta terça-feira (19/09), a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa realizou audiência pública para discutir as contribuições do educador. O evento atendeu a requerimento do deputado Elmano Freitas (PT) e contou com um público de estudantes, professores e representantes de movimentos sociais.

O parlamentar ressaltou a necessidade de debater as contribuições da obra do educador para o Brasil e para o mundo, especialmente diante de um cenário em que Paulo Freire é difamado e sua obra, desmerecida.

Enedina Soares, presidente da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), compôs a mesa de debates. Em sua manifestação, a professora das redes de Fortaleza e Caucaia falou da importância do professor. “A partir de uma concepção educativa própria, que cruza a teoria social, o compromisso moral e a participação política, Paulo Freire é, ele próprio, um patrimônio da reflexão pedagógica atual. Sua obra funciona como uma espécie de consciência crítica, que nos põe em guarda contra a despolitização e retrocesso neste momento da história”, disse a dirigente.

Ruth Cavalcante, do Centro de Desenvolvimento Humano (CDH), explicou que o pensamento e as pedagogias de Paulo Freire buscavam uma conscientização dos fatos, uma consciência que leva à ação e, por isso, o educador se tornou uma “pessoa perigosa” para muitos.

Ela lembrou que, durante a Ditadura Militar, foi presa ao dar um curso com o método Paulo Freire, partindo para o exílio na Alemanha, onde se aprofundou na obra do educador e pôde confirmar a influência e o reconhecimento de suas contribuições naquele País e no mundo.

Para Margareth Sampaio, do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o método de Paulo Freire entende o fazer educativo comprometido com o diálogo, assim como o papel mobilizador e transformador da educação.

“Como é que se diz ‘basta Paulo Freire’ se ele nem chegou a todos os cantos?”, questionou ao citar casos em que a obra do educador é desqualificada. Lendo uma carta aberta em defesa da educação pública, gratuita, laica e emancipadora, a educadora defendeu “políticas públicas prenhes de justiça social”.

Na avaliação de Regilvânia Mateus, da Cáritas Ceará, é preciso reconhecer e afirmar a importância do educador nesse momento de tanta intransigência, assim como levar a obra dele para espaços diversos, como comunidades, praças, escolas. “Paulo Freire nos impele a romper com a intolerância, a intransigência e a indiferença e está cada vez mais presente, convocando-nos a construir novas posturas”, afirmou.

Paula Vieira, do Movimento Kizomba, indicou que Paulo Freire trouxe uma nova percepção de mundo e de educação em sua obra. “Nesse contexto de desmonte, é fundamental resgatarmos os valores de Paulo Freire, que sonhava com uma educação igualitária e transformadora da sociedade, em que a experiência de vida do educando faz parte do processo educativo. Momento de lutarmos por uma educação pública, gratuita e de qualidade”, comentou.

Já Paulo Roberto, do setor de educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), indicou que o legado de Paulo Freire tem estado presente no MST desde o início, nas elaborações sobre educação, nas práticas educativas e nas místicas.

“A educação para o MST se constitui junto com a luta pela terra, o direito à educação pública e a compreensão da necessidade de se fazer uma crítica à educação hegemônica; pensar na educação que projete a transformação, a formação humana, o diálogo”, informou.

Participaram ainda da audiência Ana Cristina, presidente do Sindicato União dos Trabalhadores em Educação (Sindiute); Antônio Ibiapino, da Casa de Amizade Brasil-Cuba; Anísio Melo, presidente do Sindicato dos Professores e Servidores da Educação e Cultura do Estado e Municípios do Ceará (Apeoc); Fernanda Cunha Cabral, do Levante Popular da Juventude, e Matheus Figueiredo, do Núcleo Popular.

Com informações da ALCE

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