Jornada da Resistência expõe situação crítica da América Latina


Golpes contra a democracia se repetem em países vizinhos e revelam urgência de ações unificadas da classe trabalhadora.


 



Com o tema “É Hora de Resistência Popular”, a conferência magna da Jornada da Resistência abriu a série de debates do evento na tarde desta segunda (28). O cenário socioeconômico do Brasil e a repressão aos movimentos sociais na América Latina foram evidenciados pelos convidados. Em todas as falas, uma posição unânime: a união em defesa da democracia e dos direitos sociais é necessária e urgente.


 


O Prof. Dr. Giovanni Alves (Unesp) lembrou que todos têm o mesmo inimigo: o Estado Capitalista. Na análise do professor, a partir de 2013, a tentativa do governo de alcançar crescimento com investimento social mexeu com as classes dominantes. “Não podemos dizer que houve mudanças na estrutura social, mas mudou a estratificação. O pobre passou a ocupar espaços que antes eram exclusivos da burguesia. E isso incomodou muita gente que viu na crise econômica uma oportunidade de golpe”, salientou.


 


Ainda assim, o cientista social compreende que há uma oportunidade para crescer neste momento crítico: “é uma nova etapa que exige a resistência para repensarmos nossas ações e envolver a sociedade para formar uma frente política de esquerda unida”.


 


Resistência na América Latina


O ataque à democracia não é exclusivo do Brasil. Carlos Ledesma, membro da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA), realizou uma reflexão sobre o crescimento do capitalismo ao longo dos anos. O palestrante mostrou que, além dos livros e jornais, as artes plásticas registram os conflitos entre a classe dominante e os trabalhadores. Ao exibir quadros pintados por grandes artistas em diferentes épocas, Ledesma mostrou que a repressão à classe trabalhadora é histórica. “Há países que se especializaram em ganhar e outros se especializaram em perder. O sistema capitalista quer exterminar os recursos naturais. É um modelo predatório dos recursos, do Estado e das pessoas”


 


Diante deste cenário, a CSA lançou a Plataforma de Desarrollo de las Americas (Plada), um documento que traz as propostas dos trabalhadores para o desenvolvimento sustentável na América Latina. Apresentada na Jornada Continental por Democracia e Contra o Neoliberalismo, a Plada busca unificar as pautas para fortalecer os movimentos sociais e incentivar uma ofensiva contra a repressão.


 


Golpe em série


Integrante da Central Sindical dos Trabalhadores do Paraguai (CESITP), Raul Negrete veio ao Ceará pela segunda vez e lembrou que quando esteve na Jornada de 2015 não imaginou que o Brasil fosse viver um golpe semelhante ao ocorrido no Paraguai. No país vizinho, o golpe foi uma expressão da crise estrutural do capitalismo e da contradição entre o latifúndio e o povo do campo. Com isso, o governo teve uma restauração conservadora com os setores mais reacionários da nação.


 


Negrete relatou que o Governo Lugo atingiu os interesses dos grandes latifúndios, mas também tomou medidas ambíguas e antipopulares, agravando a situação do país. Ao assumir o poder pelo golpe, Horacio Cartes encabeçou uma política de criminalização das lutas sindicais, dificultando a atuação e o reconhecimento legal das organizações trabalhistas. Tal qual no Brasil, a grande mídia colaborou com este processo e com as iniciativas de flexibilização laboral, privatização e demissão de servidores.


 


Nesta conjuntura, Raul destacou a articulação dos conservadores e também reforçou a urgência de um movimento unificado contra a série de golpes. Para ele, “um dos efeitos do golpe no Paraguai foi o despertar dos jovens para o movimento sindical. É hora de juntar forças e renovar o sindicalismo para manter a democracia viva”.

 


Fonte: Fetamce

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