Servidores municipais reafirmam que resistência é uma exigência histórica

O Brasil vive um momento de desproteção social, crise sistêmica e insatisfação popular, que transcorre de um ano do golpe jurídico-parlamentar-midiático em curso desde maio de 2016. Um tempo de radicalização conservadora que impõe a resistência como exigência histórica. Essa foi a tônica da mesa de debates “A ofensiva do capital contra os direitos sociais e a Democracia”, realizada na manhã deste sábado (8), na Universidade do Parlamento Cearense (Unipace), integrando a programação do IX Congresso Estadual da Fetamce.

A atividade teve como palestrantes as professoras Adelaide Gonçalves e Alba Carvalho, ambas da Universidade Federal do Ceará (UFC), e a representante da Internacional de Serviços Públicos (ISP), Denise Mota Dau. Com falas inspiradoras à resistência dos servidores municipais do Ceará, a mesa trouxe à tona o contexto da recente crise internacional do capital, seus reflexos no Brasil e a análise, sob uma perspectiva histórica, da luta de classes do Século XIX até hoje.

A professora Adelaide Gonçalves destacou que a história da ofensiva do capital corresponde também à história da resistência da classe trabalhadora. “Os trabalhadores começaram a se organizar, no Século XVIII, para realizar o mais belo capítulo da história social. É lá que o proletariado vai nascer, com a força da semente da classe trabalhadora. É no Atlântico revolucionário que homens e mulheres vão forjar a sua pertença ao mundo, fazendo brotar uma nova classe, que trará um novo vocabulário, tentando organizar as suas artes da resistência”.

Adelaide Gonçalves lembrou que, em 1789, “os plebeus se levantaram das entranhas do chão e realizaram uma revolução vitoriosa. Precisamos atualizar, vigorosamente, as palavras liberdade, igualdade e fraternidade”. “No nosso mundo de hoje, não existe liberdade, não existe igualdade e a fraternidade passa a ser palavra sequestrada pelo capital. Por isso, nesse Congresso, devemos nos inspirar naqueles que, antes de nós, nos legaram as artes da resistência”, afirmou a historiadora. Citando Rosa de Luxemburgo, sentenciou: “é o socialismo ou a barbárie; e a barbárie não nos vencerá”.

Já a professora Alba Carvalho pontuou que, inegavelmente, o Golpe de 2016 encarna um nítido projeto das classes burguesas, das elites, vinculadas a diferentes segmentos do capital, sobretudo o capital financeiro, no sentido de recuperar e manter as taxas de lucro e de acumulação, por meio de uma dupla estratégia: intensificação da superexploração da força de trabalho (com projetos de precarização como reforma trabalhista e a lei da terceirização) e assalto aos fundos públicos, com deslocamento de bilhões da saúde, da educação e da proteção social para o pagamento de juros e serviços da dívida pública.

“É preciso estar atento e vigilante para acompanhar e compreender esta perversa arquitetura do golpe de 2016: são golpes dentro do golpe!… São golpes consecutivos, em ritmo vertiginoso. Os golpistas têm pressa em aprovar medidas e os chamados mecanismos de ajuste fiscal para efetivar o processo contínuo de golpe de estado”, destacou a professora Alba Carvalho. Ela ressaltou, ainda, o papel da mídia na arquitetura da conjuntura golpista e de perdas de direitos.

Denise Mota Dau, por sua vez, argumentou a necessidade de diálogo social para construção de uma democracia plena, na qual os movimentos sociais sejam capazes de influenciar as políticas públicas. “Por meio do diálogo social é que a gente conquista melhores condições de vida e de trabalho. Juntando organização sindical, mobilização, pressão… E isso só acontece quando a gente tem um Estado aberto, permeável ao controle social”, disse.

A representante da ISP fez um levantamento sobre a ofensiva das empresas transnacionais nos serviços públicos municipais, estaduais e federais, que compõem a nova agenda de privatizações neoliberais, atingindo setores como água e saneamento, energia e instituições financeiras. No entanto, Denise Mota Dau destacou que os movimentos sociais organizados estão fazendo o enfrentamento, citando como exemplo os protestos que acontecem em Hamburgo, na Alemanha, concomitantemente com a reunião do G20.

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