Na União, gastos sociais lideram custos

A conclusão é do pesquisador e economista do Ipea, Sérgio Gobetti. Ele cita os aposentados, que na sua maioria não contribuiu para a previdência, e programas sociais famosos, como o Bolsa Família, além do seguro desemprego. Sempre se fala que a carga tributária brasileira é muito elevada, e que pior do que as altas taxas são as limitações dos serviços públicos, principalmente nas áreas de saúde e educação.


Mas, de acordo com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a carga tributária nacional, em sua maioria, não é utilizada para investimentos em saúde e educação, mas em transferência de renda.


Segundo Sérgio Gobetti, pesquisador e economista do Ipea, dos cerca de R$ 600 bilhões arrecadados pelo Governo Federal, metade vai para o pagamento de aposentadoria do INSS, para a lei orgânica da assistência social, Bolsa Família e seguro desemprego, entre outros benefícios.


Entre esses custos, de acordo com Sérgio Gobetti, o menos expressivo vai para o Bolsa Família, com cerca de R$ 14 bilhões. Por ser um dos programas mais conhecidos do Governo Federal, o Bolsa Família, mesmo tendo uma cifra pequena dentro das transferências de renda, acaba sendo o mais visado pela população.


De acordo com Gobetti, a transferência é uma parte do gasto público pouco visível e pouco desconsiderada pela população. “Mas ajuda a melhorar o perfil de renda no Brasil e melhora os indicadores de pobreza no País“, comenta.


R$ 25 bilhões

Ainda na carga tributária, há o financiamento do Sistema de Saúde e Educação. Tirando-se esses gastos, informa Gobetti, o custeio da máquina administrativa é muito menor. Sem contar o pagamento do serviço público, o Brasil não gasta mais de 25 bilhões para se manter, segundo Gobetti.


A folha de pagamento ainda é alto, mas o valor é menor que a transferência de renda, pois cerca de 40% de aposentados do Serviço Público, segundo Gobetti, se insere na transferência de renda. “É uma obrigação pagar essa pessoa. Mas não é um custeio da máquina, porque eles não estão mais em atividade“, teoriza ele, lembrando que muitos dos aposentados rurais nunca contribuíram para a previdência.


O economista do Ipea acredita que a elevada a carga tributária brasileira se explica por causa da alta dívida pública interna, que corresponde a aproximadamente R$ 150 bilhões.


Mais simples seria, de acordo com Gobetti, se houvesse no Brasil uma distribuição de renda via tributo. Ou seja, quem ganhar mais, pagar mais.


“Os mais ricos pagam pouco em relação aos mais pobres. Inúmeros trabalhos dizem isso. O sistema tributário brasileiro é muito difícil. Os governos optaram pelo gasto social, em vez de realizar a reforma tributária, há 20 anos engessada“, sintetiza.


Fonte: Fetamce

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