Mulheres cutistas discutem equidade de gênero no Ceará

Mais de 20 sindicatos de servidores municipais e diretores da Federação dos Trabalhadores (as) no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará – FETAMCE participam hoje do Seminário Estadual de Igualdade de Oportunidades, promovido pela Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-CE, iniciado na manhã desta terça-feira (06/03), no Condomínio Espiritual Uirapuru, em Fortaleza.


Após o café da manhã, representantes de entidades ligadas à Central ou engajadas na luta pelos direitos das mulheres participaram da abertura do evento. O seminário, que faz parte da programação referente ao Dia Internacional da Mulher, segue até o fim do dia. À tarde, o tema a ser discutido é o trabalho doméstico.


O painel desta manhã foi sobre a paridade e a igualdade entre homens e mulheres. A Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane da Silva, fez um resgate histórico sobre as conquistas nas últimas décadas. Ela lembrou que a Central foi a primeira entidade a aprovar a descriminalização do aborto, em 1991. Em 1993, foi aprovada a cota de 30% de gênero. Em 2003, a comissão passou a ser uma secretaria, o que, segundo ela, foi um marco importante.


No ano passado, houve uma decisão tática de pautar a paridade na plenária da CUT. “É possível sim avançar na paridade e aí abrir o debate para os demais setores”, afirmou. Rosane disse que a paridade não é apenas uma questão quantitativa, mas sim política e de representatividade. “Para nós, é mais do que número, ela (a paridade) tem de ser uma política afirmativa.”


A secretária argumentou que as mulheres precisam ser preparadas para participar das mesas de negociações para que as reivindicações sejam pautadas. “A maioria das nossas convenções coletivas são relativas à maternidade. Só isso não basta. Queremos que as nossas pautas tratem da diferença salarial entre homens e mulheres e tratem da política de ascensão das mulheres. É fundamental a participação nas mesas de negociação para que esses temas sejam debatidos com propriedade”, ponderou.


“Não queremos 50% para ficarmos nos menores cargos, queremos 50% para dividirmos esses centros de poder da nossa Central”, disse Rosane. E finalizou contando que haverá uma campanha para a aprovação da paridade na CUT no Congresso, que ocorrerá neste ano. “Nós mulheres estamos sim preparadas para ter 50% da Central”, finalizou.


Em seguida, foi a vez de Sônia Braga, membro do diretório estadual e da executiva nacional do PT, falar sobre a paridade no partido. Ela contou sobre o processo de conquista dos espaços pelas mulheres na sigla. Atualmente, no estatuto do PT hoje a cota é de 50% com alternância de gênero. “Ou a gente bota no papel e a partir daí vai conquistando outros espaços, ou não tem jeito”, afirmou.


Sônia disse que as mulheres precisam alcançar as esferas de poder. Após 32 anos de militância, só neste ano ela sairá candidata pela primeira vez. Segundo a dirigente, não basta ter a política de cota para mulheres para participação nas campanhas eleitorais. “Além da cota de paridade, temos que discutir também recursos e infraestrutura”, afirmou.


Doutora em Sociologia e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Gema Galgane Silveira Leite Esmeraldo explicou que nos últimos séculos as mulheres têm conquistado espaços. No entanto, segundo ela, a sociedade precisa compreender que a mulher é um outro sujeito social, diferente dos homens. “Não dá para a civilização ocidental colocar ou não enxergar as nossas diferenças”, comentou.


Gema Galgane disse que, historicamente, os homens ficaram com a responsabilidade produtiva e as mulheres com a reprodutiva. “A gente não para para pensar que todo dia está funcionando um sistema invisível, mas organizando as relações entre homens e mulheres, que é o sistema patriarcal.” Após as apresentações, houve debate para discutir o tema entre os participantes.

Fonte: CUT Ceará

Assessoria de Comunicação – FETAMCE
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Fonte: Fetamce

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