Ipea divulgou comunicado sobre a desigualdade de gênero no mercado e no emprego doméstico

A persistente responsabilização das mulheres pelos trabalhos domésticos não remunerados é apontada como fator preponderante na  desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Essa é uma das conclusões do Comunicado do Ipea n° 40, Mulheres e trabalhos:

avanços e continuidades, que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou no Dia Internacional da Mulher.


Apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho, 86% das mulheres ainda são responsáveis pelos trabalhos em casa, enquanto  os homens são 45%, segundo dados de 2008 do IBGE. Elas dedicam em  média quase 24 horas por semana aos afazeres domésticos. E os homens,  apenas 9,7 horas.


O estudo trata, ainda, das consequências dessa naturalidade em atribuir às mulheres os afazeres domésticos. Os efeitos vão desde a  menor disponibilidade da mulher às jornadas de trabalho que exijam  mais tempo, à ação dos estereótipos e a ocupação de 42% das mulheres

em posições precárias, em comparação com 26% dos homens.


A coordenadora de Igualdade e Gênero do Ipea, Natália Fontoura, afirmou que, se de um lado há muitas trabalhadoras precarizadas, no  outro extremo há um crescente grupo de profissionais liberais mais  escolarizadas e bem remuneradas que podem se lançar no mercado de  trabalho porque delegam as responsabilidades familiares a outras

mulheres, as empregadas domésticas. “Isso cria um encadeamento perverso de mulheres ligadas às atribuições que deveriam ser de todos, independentemente de ser homem ou mulher”, disse a técnica.


Políticas públicas


As mudanças nos arranjos familiares, com quase 35% de mulheres chefes de família, o tempo médio de estudo das mulheres de 7,6 anos – que já  é superior ao dos homens (7,2 anos) -, e o percentual crescente de  mulheres que entram no mercado de trabalho são algumas das principais  mudanças registradas entre 1998 e 2008 no Brasil. Apesar disso, o Comunicado mostra que praticamente nada mudou com relação ao trabalho doméstico no que diz respeito à distribuição dos afazeres entre homens e mulheres.


Natália Fontoura alertou para o papel das políticas públicas e das instituições no sentido de promover uma mudança cultural e estimular o compartilhamento de atividades domésticas. A pesquisadora sugeriu uma licença paternidade maior e também licenças paternais que tanto

mulheres quanto homens poderiam usar para resolver emergências dos filhos. “Isso muda a visão do empregador. Se qualquer um pode tirar essa licença, na hora de escolher entre uma mulher ou um homem, a mulher não será mais discriminada, além de o pai ganhar mais tempo para a família”, concluiu.


Fonte: Ipea


Fonte: Fetamce

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