Contra a crise internacional, BRICS Sindical reafirma integração por soberania e desenvolvimento sustentável


O III Fórum BRICS Sindical, que foi realizado nesta terça-feira (15), em Fortaleza, reafirmou a integração do bloco – formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – como elemento chave para combater a crise internacional e fortalecer a soberania e o desenvolvimento sustentável em cada um destes países. A Federaçao dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal no Estado do Ceará (Fetamce) e a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) marcaram presença na atividade.


Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os BRICS representam uma importante alternativa à lógica excludente ditada pelos países capitalistas centrais que, em crise, tentam se manter à base do aumento da exploração das economias periféricas. Com aproximadamente 40% dos habitantes e 15% do PIB mundial, lembrou o líder cutista, o bloco precisa ser fortalecido com a participação dos trabalhadores, a fim de que haja crescimento com distribuição de renda e valorização do trabalho.


“A sustentabilidade deve ser econômica, ambiental, social e ter a participação como fundamento, como aspecto basilar”, defendeu Antonio Lisboa, da executiva nacional da CUT e coordenador do painel Desenvolvimento Sustentável, Trabalho Decente e Inclusão Social. De acordo com Lisboa, o fato de países como o Brasil terem ampliado a participação social, seja por meio de conferências, diálogos tripartites ou consultas, possibilita uma melhor intervenção da classe trabalhadora, que se vê fortalecida na disputa de hegemonia com o grande capital.


CSI PRESENTE


João Felício, presidente da CSI


“Vivemos um momento de agravamento da crise, em que nunca os ricos ganharam tanto e os trabalhadores perderam tanto. Nossa unidade é extremamente importante para enfrentar o capital e dar um basta na hegemonia de alguns poucos países, que querem nos manter tutelados, sem soberania”, afirmou o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Antonio Felicio. Para manter os ganhos das grandes corporações, denunciou, os trabalhadores da Europa e dos Estados Unidos também estão sendo vítimas da retirada de direitos, “pois esta é a lógica do capital, que se desloca para onde pode impor sua hegemonia”. Sobre a abertura de espaços formais à representação sindical dentro do BRICS, João Felício defendeu ser esta uma questão de justiça, uma vez que os empresários já têm o seu Conselho reconhecido. “É importante frisar que o governo brasileiro manifestou sua posição em favor dos trabalhadores, mas é necessário que seja reconhecido pelos cinco governos”, acrescentou.


Ministro Gilberto Carvalho manifesta solidariedade às reivindicações do BRICS Sindical


Ministro Gilberto Carvalho manifesta solidariedade às reivindicações do BRICS Sindical


Presente ao evento, o ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, condenou o fato de setores da elite e funcionários do próprio governo verem como “natural” a presença empresarial na Cúpula dos BRICS, enquanto é negada a representação aos trabalhadores. “Esta é a velha e boa luta de classes, onde alguns introjetam a dominação dentro do próprio aparelho de Estado. O fato é que os empresários têm muito mais acessos e privilégios que os trabalhadores”, declarou. Gilberto Carvalho ironizou o fato de setores da mídia falarem que é chantagem os trabalhadores reivindicarem estar representados oficialmente nos BRICS: “a maior chantagem é a praticada todo dia pelo sistema financeiro, pelas empresas que estão dentro dos ministérios pressionando pelos seus interesses”.


UNIDADE E MOBILIZAÇÃO


O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, ressaltou que “diante da informalidade, da precariedade e da má distribuição de renda, consequência do neoliberalismo na atividade econômica nos países dos BRICS, torna-se mais do que necessária a unidade do bloco, para que não venha a converter-se em algo meramente aduaneiro ou mercantilista como se viu reduzido o Mercosul”.


Na avaliação de Divanilton Pereira, secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “o BRICS expressa neste momento a resistência dos povos e a construção de uma nova perspectiva, diferente da ordem em curso”. Além do sentido geopolítico, de uma nova configuração nas relações internacionais, alertou, este é o momento em que abrimos espaço para que os interesses da classe trabalhadora sejam respeitados.


Conforme Paulo Sabóia, da executiva nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, o fato de os BRICS serem países populosos, com grandes extensões territoriais, riquezas minerais, petróleo, indústrias e, principalmente, com grande força de trabalho, abre espaço para a consolidação de um novo patamar de disputa. Exemplo disso é o Banco dos BRICS, citou Sabóia, “novo e promissor espaço de contraponto ao FMI e seu receituário de recessão, miséria e desemprego”.


Antonio Lisboa, da Executiva da CUT, ao lado de dirigentes da China, Índia e África do Sul


O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, sublinhou que a crise internacional expõe a fragilidade do atual modelo, bem como a necessidade da unidade e da mobilização para  sua superação.


INTERNACIONAIS


A vice-presidente da central chinesa ACFTU, Shiping Zhang, esclareceu que o objetivo do evento é fortalecer ações pelo desenvolvimento sustentável e pela inclusão social: “lutamos contra o capitalismo e o Banco Mundial”.


“A definição de uma agenda comum é para que tenhamos voz”, disse o secretário geral da central sul-africana COSATU, Zwelinzima Vavi, acrescentando que isso significa batalhar “contra as disparidades, o desemprego, a desigualdade e a degradação ambiental”.


Para Dennis George, da central sul-africana FEDUSA, há uma expectativa muito grande em nosso país sobre os resultados desta reunião, “pois é desta aliança mais ampla que pode vir uma resposta mais contundente aos descaminhos do neoliberalismo”.


O presidente da central russa FNPR, Mikhail Shmakov, enfatizou que o sucesso do enfrentamento está intimamente ligado à atuação unitária do movimento sindical. “Vamos compartilhar nossas visões e construir uma plataforma base em defesa do salário, do emprego e dos direitos”, propôs.


Dirigente da central indiana CITU, Suresh Kumar ressaltou o papel da solidariedade da classe trabalhadora neste momento de confronto aberto com as transnacionais e o sistema financeiro. “Mais do que nunca, precisamos demonstrar que a classe operária é internacional”, concluiu.


Leia aqui a íntegra da declaração final do BRICS Sindical.


Fonte: Fetamce

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