Combate à homofobia na escola marca o primeiro “Diálogos Fetamce 25 anos”


Com o objetivo de desconstruir a polêmica gerada em torno da inclusão das temáticas identidade de gênero e orientação sexual nos planos municipais de educação, a Fetamce reuniu, no último dia 29, servidores de 50 municípios no projeto “Diálogos Fetamce 25 anos”.


Enedina Soares, presidente da Federação, explica que o evento é parte da agenda de bodas de prata da organização sindical e acontece em um momento que só a formação e o debate consciente podem segurar a onda de conservadorismo e perda de direitos que ameaça o país. “Dados do revelam que as atitudes discriminatórias mais elevadas na escola se relacionam a gênero (38,2%) e orientação sexual (26,1%)”, explica a dirigente. E avaliou: “eis a importância de educar para o respeito à igualdade de gênero, visando modificar para melhor esses quadros na sociedade como um todo e também nos estabelecimentos educacionais”.


Planos


Identidade de gênero e orientação sexual são apenas uma das ações das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que é o planejamento da educação brasileira para os próximos 10 anos. As temáticas citadas, inclusive, foram ratificadas nos últimos seis meses em conferencias e plenárias realizadas nos municípios de todo o país. Mas a polêmica em torno das propostas só surgiu quando os planos municipais de educação chegaram às câmaras municipais e assembleias legislativas, pressionadas pelas bancadas religiosas e com respaldo das igrejas evangélicas e católicas.


Deturpações


Um dos convidados do evento, o doutor em Educação Brasileira, Alexandre Joca, disse que a exclusão do tema do debate da educação, é só mais um reflexo do preconceito escancarado contra o socialmente diferente, seja ele homossexual ou não. Ele explica que da mesma forma que aconteceu com os materiais do projeto Escola Sem Homofobia, houve uma distorção intencional por parte de setores reacionários sobre o propósito da iniciativa, mobilizando assim seus seguidores contra os temas e com base em informações inverídicas.


Identidade e Orientação



Vetada em cidades importantes, como Fortaleza e Caucaia, e ameaçada no estado Ceará, a discussão de identidade de gênero nada mais é que a forma como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero estabelecidos socialmente. Embora a maioria das mulheres se reconheça no gênero feminino e a maioria dos homens no masculino, isto nem sempre acontece. Falamos, então, de pessoas cujo sexo biológico discorda do gênero psicológico: são os travestis e transexuais, ou transgêneros. Outra detalhe, é que identidade não tem relação com orientação sexual, que é a forma como nos sentimos em relação à afetividade e sexualidade. São coisas completamente independentes.


É o que explica o secretário LGBT Fetamce, Rafael Fernandes: “desde a mais distante infância, somos ensinados que rosa é de menina e que azul é de menino. Além de uma imposição da sociedade patriarcal, a ideia de homem e mulher precisa ser discutida, pois temos pessoas que não se enquadram nestas determinações, que funcionam mais como prisões”.


Presente da ONG pioneira nos debates sobre diversidade sexual e direitos LGBT, o Grupo de Resistência Asa Branca, Chico Pedrosa, chamou os servidores para a luta contra a homofobia e o preconceito de gênero: “sou da opinião que entidades com a Fetamce tem que sair da luta corporativa imediata e se somar a outros debates que levam também à transformação social”.


Ao final da atividade, os trabalhadores aprovaram monitorar os temas nos planos de educação, combatendo os preconceitos existentes. O evento foi encerrado com uma sessão de cinema, com a exibição do filme “Pride”, que conta a história real da greve de 1984 dos mineiros, que contou com o apoio inusitado de um grupo de ativistas gays e lésbicas de Londres. 


Participações


Também participaram do Diálogos, Jovanil Oliveira, vereador de Fortaleza; Renan Ridley, secretário-executivo da coordenaria LGBT do Governo do Estado do Ceará; e Rita de Cássia, coordenadora do Fórum Estadual de Educação.


Fonte: Fetamce

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