Pobreza no Ceará poderia ser extinta em cerca de 32 anos, diz pesquisa

Acabar com a extrema pobreza tem um custo. Além de tempo, o País precisaria investir aproximadamente R$ 3,26 bilhões por ano em transferência de renda para que os nove milhões de brasileiros com rendimento de até 1/8 do salário mínimo deixassem esse patamar de pobreza. Na região Nordeste, região com cinco milhões de extremamente pobres, esse montante seria de R$ 1,55 bilhão ao ano. Enquanto no Estado do Ceará, seriam necessários R$ 167,18 milhões anuais.


Os dados são de estudo apresentado pelo economista Flávio Ataliba, do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), vinculado à Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (Caen/UFC).


Socorro imediato


“Não existe outra maneira de agir para socorrer imediatamente essas pessoas, até que outras ações entrem em campo, como aquelas voltadas para a saúde e para a educação”, diz.


“Na verdade, sem qualificação fica muito difícil inserir todo esse pessoal, dada a sua tamanha vulnerabilidade. Portanto, a presidente eleita foi muito feliz na sua proposição de erradicar a miséria, já que o Brasil precisa reconhecer a gravidade dessa questão”, defende o pesquisador do Caen/UFC.


Peso sobre a economia


Para se ter uma ideia sobre o peso do problema sobre a economia, explica, Ataliba, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará, por exemplo, poderia ser 7,2% superior, caso o Estado tivesse índice de desigualdade semelhante ao de Santa Catarina.


Ou seja, a economia cearense poderia movimentar R$ 4,2 bilhões a mais por ano, e a renda de cada indivíduo poderia ser acrescida em R$ 41 por mês, segundo estimativas que constam no estudo “O Custo da Desigualdade no Ceará”, elaborado pelo LEP. Os cálculos levam em conta dados de 2008, quando o Ceará era o 11º Estado com maior desigualdade de renda.


Se chegasse ao nível de Santa Catarina, que era o 26º, a desigualdade cearense seria reduzida em 14,5% e a renda cresceria próxima dos 12% (11,64%).


Ainda de acordo com o LEP, se a taxa média de crescimento da renda familiar per capita dos cearenses continuasse no mesmo ritmo dos anos anteriores – 1,58% de expansão ao ano entre 1995 e 2007 -, a pobreza no Estado poderia ser extinta em cerca de 32 anos.


Segundo Ataliba, os resultados encontrados trazem à tona um problema que, se para sua solução for utilizado apenas o crescimento econômico do Estado, o Ceará, assim como o Brasil, pode levar ainda muito tempo para extinguir por completo sua pobreza.


“Nesse aspecto, essa tendência pode ser acelerada se fossem utilizadas de forma mais efetiva políticas públicas que possam alterar o perfil distributivo de nossa sociedade”, argumenta. “Ademais, programas de transferências de renda condicionados e aporte de ativos financeiros são também de grande valia”, emenda.


Fonte: Fetamce

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