Jornada recebe lançamento da Campanha Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

A cada uma hora, cinco mulheres são assassinadas no mundo. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo menos 52% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio sexual no trabalho.

A dolorosa estatística foi enfatizada em intervenção emocionante, durante a Jornada da Esperança, quando a Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce) e os sindicatos filiados lançaram no Ceará a Campanha Mundial: Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A iniciativa foi criada pela Internacional de Serviços Públicos (ISP) e apresentada oficialmente no 30º Congresso da entidade mundial e consistirá em várias ações em âmbito global, regionais e locais.

A campanha coloca no centro da intervenção a participação dos homens, porta-vozes da mobilização. O documento de apresentação da proposta leva o título: “A ISP se compromete a por fim na violência contra as mulheres”. Entendendo que a violência contra a mulher parte essencialmente do sexo oposto, estes devem discutir e fortalecer entre os próprios a demanda pela superação do machismo e da violência que atinge o gênero feminino, assim como o extremo disso, que é o feminicídio.

De acordo com Rafael Fernandes, um dos representantes da Fetamce no Congresso da ISP, além de eventos globais, de acionamento aos organismos respectivos que tratam do tema ou conexos, haverá, primeiro o incentivo e posteriormente a cobrança de as entidades filiadas à ISP coloquem o tema no dia a dia das atividades sindicais – demanda esta que foi colocada agora para cada entidade local organizada na Fetamce. “Por exemplo, vamos cobrar que seja colocado o tema nos estatutos, criar instâncias diretivas específicas, divulgar, denunciar, enfim, tornar hábito e rotina das atividades da entidade”, explica Rafael.

Já Enedina Soares, presidente da Federação estadual – que também esteve no encontro mundial, realizado na Suíça -, destacou o fato de que “o ISP adotou pela primeira vez um Programa de Ação integrado por gênero que oferece um amplo compromisso político”. Mas a mudança real depende das pessoas que atuam. Os homens têm uma grande responsabilidade e oportunidade histórica na transformação das relações de gênero e em ações individuais e coletivas em diferentes contextos. “É hora de os homens acabarem com a violência, de todas as formas, presente na língua, nas ações, nos sindicatos e na história humana”, enfatizou Enedina.

Anderson Almeida, diretor da Fetamce, que coordenou o ato durante a Jornada, classificou a violência contra a mulher como um problema dos homen. “Cabe ao nosso gênero, o autor da violência, modificar completamente as relações, especialmente incidindo pelos nos homens que são representantes dos governos e dos empregadores, que, de uma forma ou de outra, perpetuam as desigualdade. É necessário um forte discurso pedindo o fim da violência contra as mulheres, particularmente no trabalho”, definiu Anderson.

Palavra da ISP

Conforme Rosa Pavanelli, Secretária Geral da PSI, este passo da campanha “define claramente o objetivo de acabar com a violência de gênero como luta pelos direitos humanos e a liberdade para todos, integra as causas sistêmicas da violência contra as mulheres e aborda as necessidades fundamentais da economia, autonomia pessoal política, educacional, social e integral”, falou a dirigente durante o Congresso.

Em sintonia, Juneia Batista, presidente do Comitê de Mulheres da Internacional, declarou: “Os membros do ISP subscrevem este trabalho comum para transformar as relações de gênero, incluindo a divisão sexual histórica do trabalho, a subvalorização do trabalho feminino e a luta pela realização dos direitos das mulheres, incluindo a sua vida sexual e reprodutiva”.

Fotos: Wallison Queiroz

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