Dois mil servidores de todo o Ceará marcham pela qualidade do serviço público


Uma marcha que deixou o seu recado. Sob os olhares curiosos dos fortalezenses que passaram pelo Centro da cidade na manhã desta sexta-feira (11), cerca de dois mil servidores municipais de todo o Ceará uniram suas vozes e marcharam contra a precarização do serviço público. Organizados em várias alas, eles ganharam os principais corredores comerciais de Fortaleza. Todos de preto, os municipais vestiram o luto protestando  contra a falta de prioridade nas políticas públicas para garantir a qualidade do serviço público no Estado.



Vindos de diferentes regiões do Ceará, os servidores municipais abordaram fatores que geram  a precarização no serviço público, tema da marcha deste ano. Enedina Soares, presidenta da Fetamce, lembrou que a precarização no serviço público é sentida tanto pelo trabalhador como pela população,sendo necessário prioridade nos investimentos.


“Como o servidor trabalha para o povo, a garantia de seus direitos trabalhistas repercute diretamente na qualidade do serviço que ele presta à população”, disse, exemplificando que escolas bem-equipadas e postos de saúde bem-estruturados são reivindicações dos servidores que beneficiam diretamente a população.


Servidores vestidos levando sacos de dinheiros com o nome “Fundeb” faziam alusão aos gastos incorretos do Fundo da Educação, realizado por algumas administrações no Estado. Outra ala abordou o cabide de emprego, apadrinhamento de funcionários da Administração Pública por políticos, visando interesse particular, ao invés do coletivo.De maneira bem humorada, servidores criticaram a ação repressiva da polícia  utilizando spray de pimenta contra os professores e servidores nas manifestações,  e vestiram-se de prefeitos corruptos, desviando os recursos públicos, causando prejuízos a qualidades dos serviços.


Terceirizações e Saúde


Abordadas em uma das alas, as terceirizações foram bastante criticadas pelos sindicalistas. “Os companheiros(as) do Ceará vieram dizer não às terceirizações por compreenderem que essa forma de trabalho predispõe o trabalhador e a trabalhadora ao assédio moral, prejudicando a sua saúde”, avaliou Ozaneide Paulo, secretária de mulheres da CUT do Ceará.


O mal que a terceirização traz à saúde do trabalhador também foi exemplificado por Graça Costa, secretária das relações de trabalho da CUT Nacional. “De cada 10 pessoas que adoeceram por causa do trabalho, oito são terceirizados”, alertou. A sindicalista lembrou ainda que, embora retirado de votação, o projeto de lei 4330 de 2004 ainda representa um risco ao serviço público.


“Apesar de não citá-lo no texto, essa lei vai servir de referência na hora em que for discutir terceirização no serviço público e vai atingir todas as estatais”, ressaltou.


Reajuste professores


Os municipais protestaram ainda contra o avanço do PL 3776 de 2008, que propõe o reajuste do piso dos professores pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ao invés do valor-aluno em cada ano, como está garantido na Lei do piso Salarial do magistério Lei 11.738/08.


Durante a marcha, foram colhidas assinaturas contra os projetos de lei 4330 de 2004 e 3776 de 2008.


A Fetamce continuará na luta para alertar à sociedade ao retrocesso que esses textos representam aos direitos da classe trabalhadora e não cessará enquanto os referidos projetos estiverem em risco de entrarem, mais uma vez, na pauta de votação do Congresso Nacional.


Além de servidores municipais, participaram da marcha a Central Única dos Trabalhadores, Central dos Movimentos Populares, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Índios Tapebas de Caucaia, metalúrgicos, comerciários, rurais, estudantes, trabalhadores dos correios.


Saiba mais


Temas denunciados: regimes próprios de previdência, onde não há  a garantia da aposentadoria dos servidores;

Concurso público;

Desvios de recursos públicos;

Cobramos mais investimentos para os serviços públicos.


 


Imagem: Camila Carvalho


Fonte: Fetamce

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