Professores de Fortaleza em greve fazem carreata no feriado

Professores da rede municipal de ensino percorreram avenidas da Capital em carreata, no dia primeiro de maio, como parte da agenda de lutas da greve iniciada no último dia 18. Por volta das 14 horas, a fila de veículos partiu da Praça 31 de Março, na Praia do Futuro, em direção ao Ginásio Poliesportivo da Parangaba, onde houve ato unificado em comemoração ao Dia do Trabalhador.

Com carro de som, bandeiras e buzinaço em alguns pontos, o protesto atravessou a Cidade por avenidas como Santos Dumont, Raul Barbosa, Alberto Craveiro e Silas Munguba, até chegar à Parangaba.

Segundo Cristina Guilherme, presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sindiute) no Estado do Ceará, a carreata foi uma forma de chamar a atenção para as pautas da greve e pressionar a Prefeitura de Fortaleza por propostas.

“A gente pensou na carreata pra sair daqui e ir juntando (professores) nos diversos bairros. Nós esperamos que essa greve seja reduzida, mas não pode ser pela truculência. A via tem que ser a da negociação”, justificou Cristina.

O Sindiute defende que o reajuste é previsto na lei federal 11,738 de 2008, que institui o piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Segundo Cristina, a correção é de 6,81% e de 7,84%, referente aos anos de 2018 e 2017, respectivamente. Além da demanda financeira, a categoria também espera negociar melhores condições escolares.

“O que a gente tem dentro de sala de aula é muita indignação por falta de condições de trabalho, pelos direitos das crianças serem negligenciados a cada dia, por falta de material, por falta de estrutura mesmo. E também pela desvalorização da nossa categoria, tão importante pra formação da nossa sociedade”, critica a professora Diana Aguiar, 29.

Ao O POVO, o prefeito Roberto Cláudio disse que a Prefeitura apresentou duas propostas diferenciadas, uma que propõe pagar o diferencial do piso em duas vezes, sem pecúnia (remuneração relativa a licenças anuais dos docentes) esse ano. A segunda era pagar as pecúnias neste ano e pagar o diferencial do piso no fim do ano.

Cristina Guilherme informou que a Prefeitura ofereceu pagar 2,95% em janeiro e 3,75% em dezembro, mas a categoria não aceitou a oferta.

Ainda conforme a presidente do Sindiute, os professores se reunirão, hoje, na Câmara Municipal de Fortaleza, onde deverão receber nova proposta da Prefeitura.

A LUTA NÃO VAI PARAR

Foto: O Povo

O PROFESSOR de educação física Francisco de Assis Cavalcante, 63, participou do ato e criticou a decisão do TJCE pela ilegalidade da greve e também defendeu que o momento requer formação política dos professores. “A gente sabe que a luta não é só dos professores, é da sociedade, das comunidades, de gente que gostaria de uma escola de qualidade”, reúne o docente. “A luta é essa. A gente não vai parar (a luta)”, completa.

APOIO A LULA

Na carreata, professores manifestaram apoio ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), preso desde o último dia 7 de abril, na sede da Polícia Federal em Curitiba. Alguns docentes vestiam camisas vermelhas com dizeres “Lula Livre”.

Fonte: O Povo

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