A caminhada pela igualdade prossegue

Em março de 2011 as mulheres trabalhadoras brasileiras avançaram em sua histórica caminhada por igualdade de direitos e por autonomia. No mês em que é celebrado o Dia Internacional das Mulheres, foram realizadas diversas manifestações na luta por igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, além de atividades de reflexões sobre a persistente discriminação a que elas são submetidas, mas também de divulgação de suas conquistas.


O coletivo nacional de mulheres da CUT se desafiou a realizar atividades durante todo o mês, de maneira descentralizada e com o objetivo de potencializar a mobilização CUTista para a IV Marcha das Margaridas. E os objetivos foram cumpridos na sua integralidade. As atividades realizadas pelas CUT´s Estaduais e também pelas Confederações, Federações e Sindicatos impulsionaram a agenda da CUT por igualdade de oportunidades entre homens e mulheres na vida, no trabalho e no movimento sindical. O fim da violência sexista, a reivindicação de igualdade salarial e em todos os âmbitos do trabalho, a garantia de creches públicas no campo e na cidade, e a defesa de uma política permanente de valorização do salário mínimo foram temas discutidos de norte a sul em nosso país. Em alguns locais, inclusive, ocorreram conjuntamente em atividades de lançamentos estaduais da Marcha das Margaridas e em parceria com os movimentos feministas e de mulheres.


O mês de março chega ao fim, mas os desafios continuam. Ao longo deste ano a militância CUTista, em especial as mulheres, deverão seguir mobilizadas para construir e intervir em quatro grandes empreitadas: as Conferências Nacionais, em especial a Conferência de Trabalho Decente e a de Políticas para Mulheres; a 100ª CIT da OIT sobre o trabalho doméstico; a IV Marcha das Margaridas; o processo de discussão e mobilização sobre a reforma no sistema brasileiro de participação política; e a Plenária Nacional da CUT.


Com relação às Conferências Nacionais, seja a de Trabalho Decente, seja de Políticas para as Mulheres, são momentos chaves para debatermos com toda a sociedade as propostas da CUT para o desenvolvimento sustentável, com valorização do trabalho, igualdade de oportunidades, distribuição de renda e inclusão social, e também para afirmamos que o governo precisa assumir e encaminhar as deliberações resultantes destes espaços através da construção de políticas de Estado.


Em junho deste ano acontecerá a 100ª Conferencia Internacional do Trabalho da OIT, que tratará pelo 2º ano do trabalho doméstico. O trabalho decente como eixo prioritário para avanços nas relações de trabalho precisa incluir na sua dimensão (proteção, liberdade de organização e de negociação) o trabalho doméstico. A CUT, em conjunto com as trabalhadoras domésticas, irá desenvolver esforços para que a CIT resulte na aprovação da Convenção Internacional seguida por uma Recomendação que garanta às trabalhadoras domésticas tratamento isonômico aos demais trabalhadores/as.


Em agosto será realizada a IV Marcha das Margaridas, que pretende levar 100mil trabalhadoras à Brasília. Esta manifestação encabeçada pelas trabalhadoras rurais, conta com a parceria de movimentos sociais urbanos e rurais, sindicatos e com a CUT. Ela terá um caráter de denúncia e de construção de uma plataforma nacional contra a fome, a pobreza e todas as formas de violência, exploração, discriminação e dominação das mulheres. A CUT convoca todas suas entidades a engajarem-se nas atividades da Marcha das Margaridas 2011 para darmos grande visibilidade a esta pauta que se assemelha e reforça a luta que a Central vem travando por um modelo de desenvolvimento com igualdade e inclusão social.


Um dos temas em pauta deste ano e que já está sendo debatido é a necessidade de um reforma política verdadeiramente democrática e que, por conseguinte, contemple as mulheres. A Reforma Política no Brasil é fundamental e imprescindível para o fortalecimento da democracia brasileira, para o fortalecimento da participação popular e maior controle social sobre os partidos e o Estado. Para que isso realmente ocorra, a Reforma deve tratar das questões centrais que ampliam os espaços de participação e garantem o seu pleno exercício. A democracia participativa é aliada fundamental de um novo paradigma de desenvolvimento, tendo como resultado um setor público fortalecido. Para ser de fato representativa, a política deve trazer para o seu seio setores da sociedade até então excluídos – caso das mulheres, jovens, negros e segmentos minoritários. As mulheres CUTistas deverão participar ativamente destes debates em torno da Reforma Política.


Por fim, mas não menos importante, será a realização da 13ª Plenária Nacional da CUT. Será o momento de debate sobre a reforma estatutária da nossa Central, é no qual será preciso unidade e organização das mulheres CUTistas para avançarmos no empoderamento das mulheres e na democracia interna de nossa Central, bem como para que na atualização do posicionamento conjuntural que a CUT fará, esteja contemplada de maneira transversal a perspectiva de gênero, que nos permita traçar estratégias para superar as desigualdades entre homens e mulheres.


Desde a fundação da CUT, principalmente a partir da atuação organizada das mulheres, nossa Central vem reconhecendo como estratégico e fundamental a luta das mulheres trabalhadoras. A proposição das mulheres socialistas russas de celebrar um Dia Internacional das Mulheres já ultrapassou um século, muitos caminhos já foram percorridos, mas muito ainda há que caminhar para de fato alcançarmos a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres na vida, no trabalho e no movimento sindical.
Fonte: Fetamce

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